Criticidades Metropolitanas
Uma visão crítico-metropolitana da realidade
sábado, 1 de outubro de 2011
Rock in Rio 2011
Enquanto você, cidadão, tem todo seu suor surrupiado para o bem-estar social dos corruptos que governam nosso país, pode agora assuntar sobre o Rock in Rio 2011 que não deixa nenhuma mídia de fora, desfocando todos os assuntos que deveriam ser do interesse nacional como desvio e verbas ocorridas na principais capitais do nosso ocioso país. Claro, o que é a vida de uma policial militar que morre num evento como este? Nada! O importante é estar lá, ao vivo, com seu artista preferido enquanto a grande mão-invisível apanha até o último centavo que deveria ser investido em nossa segurança, depois você pode organizar um lindo protesto pelas ruas pedindo segurança porque seu filho foi assassinado quando estava voltando da escola.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Reconhecimento
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| O reconhecimento da união homoafetiva como modalidade familiar foi aprovado no dia 5 de maio de 2011, na sessão que se iniciou no dia 4 |
O STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu no dia 05 de maio de 2011 a união estável de casais gays como uma modalidade de família, aparentemente a democracia que cita tão eloquentemente que "todos são iguais perante a lei" está sendo praticada para o temor dos pessimistas que julgam que o nosso país (Brasil) nunca sairia do lugar e permaneceria casado com o século XVI ainda por muito tempo na questão de suprimir uma identidade social.
A uniao homoafetiva de caráter estável garante pensão alimentícia, ter acesso à herança de seu companheiro em caso de morte, podem ser incluídos como dependentes nos planos de saúde, poderão adotar filhos e registrá-los em seus nomes, dentre outros direitos, ou seja, a lei está um nível mais igual para todos.
Mas não é o fim do preconceito, infelizmente. O ódio que isso vai desencadear vai gerar filhos com muitas cabeças e chifres que se erguerá do mar da maioria das entidades religiosas de perseguição à vida alheia, portanto, ainda haverá uma luta, talvez de proporções épicas, entre os conservadores, humanistas e seres humanos serão atingidos dolorosamente enquanto você assiste a novela.
Assista agora o vídeo que está dando o que falar: a defesa do reconhecimento da união estável de casais do mesmo sexo exercido pelo advogado Luis Roberto Barroso em seu brilhante discurso que pode ser capaz de mudar o fluxo da história do país. Para ele, meu mais profundo respeito porque os direitos de meus amigos estiveram em boas mãos.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
O lobo do homem
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| Wellington, atirador de Realengo, morto |
Quando Thomas Hobbes disse que o "O homem é o lobo do homem" ele não estava de brincadeira e podemos observar isso com a clareza das águas por enquanto límpidas. Certamente porque o maior predador do homem seja ele mesmo que avança com a voracidade de um lobo faminto até seu semelhante para lhe causar dano e dor. Mas muitos desses lobos são criações nossas tanto quanto a frase de Hobbes é criação sua como posso citar de exemplo o lobo que predou a vida das crianças naquela escola em Realengo, RJ, em 7 de abril de 2011.
Claro que não é qualquer um que pode entender que as pessoas reagem de maneiras diversas as troças a que são submetidos na escola. As pessoas nem sempre esquecem as rejeições, aos xingamentos e às zombarias que sofreram na escola por não se enquadrarem numa padronização social. O que é diferente é excluído do meio social, do nosso meio, e tratado como anomalia, algo que não deve existir ou, pior, algo que deve ser combatido ou extinto.
Wellington de Oliveira é o lobo que sua sociedade criou, é o assassino produzido por nossa sociedade fútil, pois seus próprios colegas de escola afirmaram que ele era um "bundão", retraído, sempre segurava e guardava suas mágoas e angústias para si até que se soltou matando 12 crianças para surpresa de todos que subestimavam suas capacidades. Anos se sucederam até a morte de sua mãe, buscou conforto na religião, sua sanidade mental não estava em sua melhor performance e as lembranças do passado, angustiantes, lhe causavam dor e potencializado pela sua baixa auto-estima cultivada por anos de bullying na escola até que saísse o produto final: o assassino de Realengo. O que quero dizer é que os co-autores destas mortes existem e são aqueles que torturavam o psicológico dele, os mesmos que lhe impuseram a alcunha de assassino: a sociedade que exclui os diferentes.
É lógico que nada justifica matar e nem estou a defender esta atrocidade ocorrida mas é importante apontar o mal que há em nossa sociedade excludente, o mal que fabrica este tipo de acontecimento por produzir seres humanos infelizes que podem cometer atos inimagináveis contra nossos filhos... ou contra nós mesmos.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
José Alencar e a saúde
Nesta terça-feira, dia 29 de março de 2011, morre, finalmente, o ex-Vice-Presidente da República José Alencar depois de uma ferrenha luta contra um câncer no abdômen. Mineiro nativo de Muriaé, nasceu em 19 de outubro de 1931. Dono de um império da indústria têxtil, morreu como poucos brasileiros irão morrer. Sua resistência a várias cirurgias e internações o tornou ícone de luta pela vida e persistência. No fim, os médicos não puderam impedir o destino final imposto pela natureza à todos de todas as classes sociais: a morte.
Dizer que teme a desonra é um completo despudor para um ex-Vice-Presidente que é ícone de luta pela própria vida e este ato egocêntrico comove até mesmo os brasileiros jazidos nos corredores com seus cânceres, feridas, fraturas, sangramentos... aguardando a morte sem a oportunidade que teve o vice do ex-presidente Lula. Muitos ainda irão continuar a morrer nesses corredores sem poderem lutar pela vida, mas isso parece não importar, José Alencar é um exemplo de luta pela vida e isso o dignifica em detrimento aos demais que não podem fazer tratamentos caros de seus cânceres porque o poder público faz necessitar mais benefícios aos engravatados do que aos nossos futuros cadáveres aguardando ser notado por um incompetente de branco. Mas José Alencar é um símbolo de luta pela vida, pela própria vida.
Bom, não preciso dizer que nosso sistema de saúde é eficientemente inútil, preserva muito bem nossas vidas para que seja entregue sem atrasos aos braços da morte e isso faz com que a distância entre médico e açougueiro seja cada vez mais curta. Então, ser ícone de luta pela vida é muito mais fácil para quem possui todos os recursos disponíveis do que para um João da Silva na fila do SUS, que é um sistema único (único sistema de saúde da morte).
Como todos os brasileiros na fila do SUS, José Alencar teve seu fim num hospital, só que num leito, atendido por profissionais que lutaram tanto quanto ele pela sua vida. Vida que poucos brasileiros terão, principalmente os pacientes de nossos hospitais públicos que não querem a viver como José Alencar, mas viver apenas... ou ser atendido algum dia antes de morrer.
Esta postagem dedico à todos os meus conterrâneos (os brasileiros) que padecem pela incompetência de nosso sistema de saúde e ainda acreditam que poderia ser pior.
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sábado, 22 de janeiro de 2011
Chuvas mortais
A natureza é inexorável. Não dá aviso prévio para suas ações, é por isso que há necessidade de cientistas para decifrá-la. Muito do que ela faz pode nos matar sem o menor resquício de piedade, não distingue cor ou classe social, nem índole e nem ideologia, as naturalidades deste mundo são uma força que frustra nossa prepotência controladora, põe-nos no devido lugar: somos produto dela, feitos por ela e para ela e não o contrário como desejamos em nossas lendas e crenças.
Por mais que o Homo sapiens deseje ser o centro do universo e se esforce para isso, a natureza nos disciplina dura e até violentamente pela nossa desobediência às suas leis.
Desde tempos imemoriais ocorre neste mundo a erosão causada pelas águas de chuva, mas insistimos em desafiar essa força, afrontar a natureza como se tivéssemos poder para isso. Não é surpresa, então, que pessoas morram em deslizamentos e mais irão morrer no próximo ano se nenhuma prevenção for tomada, o pior é que estou quase certo da inatividade do poder público para prevenir, pois a própria população, ignorante como deseja ser, só irá se lembrar de medidas preventivas quando estiver novamente na lama recolhendo os corpos das vítimas da chuva do ano que vem, espero estar errado nesta “previsão”.
Nosso país tem cientistas, muito competentes e sérios, capazes de prevenir esses desastres naturais com informações que nos permitiriam agir antes que a morte ceife a vida de pessoas inocentes e evitar que os cidadãos construam suas casas em áreas de risco, mas parece que preferimos recolher corpos na lama ao invés de ler artigos científicos. Mas como poderemos dar uma chance à ciência se não damos uma chance nem mesmo para nossas escolas? É triste, mas vamos esperar os novos corpos do ano que vem para refletir sobre isso novamente (se é que alguém reflete sem obedecer ao Princípio de Heisenberg).
Ano que vem veremos se o brasileiro aprende com os erros ou se irão recolher mais corpos no meio da lama.
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